11 maio 2006

Dorothy Dix

Às vezes, ver o sofrimento que outras pessoas passaram nos faz pensar em nossos próprios sofrimentos. Então, vemos que não é tão difícil assimsuperá-los. Que apesar das dores e angústias que temos em nossas vidas,sempre tem alguém ou alguma coisa que nos faz seguir em frente, que nosajuda a enfrentar os desafios de todo dia e ter força para suportar maisuma porrada da vida...Infelizmente (ou felizmente, não sei) nossos problemas não são maiores nemmais difíceis do que os dos outros, são apenas diferentes. Mas a vida éassim mesmo, e temos que aproveitar essas experiências ruim para crescer,seja em que sentido for, seja como puder ser...
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"Passei pelas profundezas da pobreza e da enfermidade. Quando me pergunta, o que me fez prosseguir através de todos os obstáculos e dificuldades que geralmente nos acontecem, sempre respondo: "Suportei ontem, posso suportar hoje. E não permito a mim mesma pensar no que poderá acontecer amanhã." Passei por privações, lutas, angústias e desesperos. Precisei sempre trabalhar além das minhas forças. Quando olho para trás, vejo a minha vida como um campo de batalha, cheio de destroços de sonhos mortos, esperanças malogradas, ilusões desfeitas; uma batalha de que sempre participei com todas as vantagens contra mim, e que me deixou marcada, contundida, mutilada e prematuramente envelhecida. Apesar de tudo, não sinto piedade de mim: não tenho lágrimas para derramar do passado e das tristezas que se foram; não invejo as mulheres que foram poupadas de tudo pelo que passei, porque vivi; elas apenas existiram. Sorvi até o fim a taça da vida. Elas apenas passaram os lábios pela espuma da superfície. Conheço coisas que elas jamais conhecerão. Vejo coisas ante as quais elas estão cegas. Só as mulheres cujos olhos foram lavados pelas lágrimas, conseguem adquirir a visão ampla e clara que as torna assim, como uma espécie de irmãs. Estudei na grande Universidade dos Rudes Golpes, uma filosofia que não é adquirida por nenhuma mulher que viveu uma vida suave. Aprendi a viver cada dia como ele se apresenta e a não tomar emprestadas inquietações com receio do dia de amanhã. É a sombra ameaça do quadro criado pela imaginação o que nos acovarda. Afastei de mim este receio, pois a experiência me ensinou que, quando chega o momento que tanto temia, encontro sempre compreensão e a energia para enfrentá-lo. Os pequenos aborrecimentos já não tem poder de afetar-me. Depois que já se viu desmoronar o edifício da própria felicidade, e que se ficou só em meio das ruínas, nunca mais nos importa que a criada esqueça de colocar as toalhas junto dos bows de lavar os dedos, ou que a copeira derrame a sopa. Aprendi a não esperar demasiado das pessoas e, assim, posso sentir-me feliz com um amigo que não é muito sincero ou com um conhecido que costuma falar dos outros. Acima de tudo, adquiri sense of humor, pois há muitas coisas das quais eu teria de rir ou de chorar. E quando uma mulher sabe rir dos infortúnios, em lugar de entregar-se a crises histéricas, nada mais pode feri-la, muito, novamente. Não lamento as aflições por que passei, pois, através delas, senti a vida sob todos os seus aspectos. E isso valeu o preço que tive que pagar." (Dorothy Dix)

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